Eu nunca gostei da ideia de estudar apenas para acumular certificados.
Para mim, uma formação só faz sentido quando muda a maneira como pensamos, decidimos, lideramos e construímos. Foi com esse olhar que iniciei minha jornada no programa internacional de Inovação desenvolvido no contexto da ENEB e da Universidad Isabel I, na Espanha.
Mais do que conquistar um novo título, eu buscava compreender melhor algo que sempre fez parte da minha trajetória profissional: como transformar problemas reais em soluções que funcionam. Essa formação me ajudou a organizar essa inquietação.

Por que estudar inovação?
A palavra “inovação” aparece em praticamente todas as empresas. Está nas apresentações, nos planejamentos estratégicos, nos eventos e nos discursos das lideranças.
Mas existe uma distância enorme entre falar sobre inovação e construir algo verdadeiramente novo, útil e sustentável.
Inovar não é simplesmente adotar uma tecnologia moderna, criar um aplicativo ou colocar inteligência artificial em um processo antigo. Também não é ter uma boa ideia em uma reunião e esperar que ela se transforme sozinha em resultado.
"Inovação exige método."
Ela começa com a capacidade de observar um problema com profundidade, compreender as pessoas envolvidas, questionar o modelo atual e encontrar uma maneira melhor de gerar valor.
Depois disso, ainda é preciso testar, medir, corrigir, conquistar adesão e transformar a solução em parte da operação. Foi justamente essa visão mais prática e estruturada que procurei desenvolver ao longo da formação.
Inovação aplicada à saúde
Minha atuação profissional está profundamente conectada à gestão em saúde e à Experiência do Paciente.
Nesse setor, inovar possui um significado ainda mais relevante. Estamos falando de jornadas que afetam diretamente a saúde, a segurança, o tempo, as expectativas e, muitas vezes, a vulnerabilidade das pessoas.
Uma pequena falha de comunicação pode gerar ansiedade.
Um processo mal desenhado pode atrasar um atendimento.
Um sistema desconectado pode obrigar o paciente a repetir informações várias vezes.
Uma equipe sem clareza pode oferecer uma experiência completamente diferente daquela planejada pela liderança.
Por isso, na saúde, inovação não pode ser apenas estética ou tecnológica. Ela precisa melhorar a experiência de quem recebe o cuidado e também as condições de quem trabalha para entregá-lo. Ao longo da minha trajetória, passei a enxergar a inovação como uma ponte entre diferentes dimensões:
Pessoas → Processos → Tecnologia → Dados →Experiência → Resultados
Quando essas dimensões trabalham separadamente, surgem retrabalho, ruídos, desperdícios e experiências fragmentadas. Quando são conectadas por uma estratégia clara, a organização consegue cuidar melhor das pessoas e operar de maneira mais inteligente.
Tecnologia não é o ponto de partida
Uma das convicções que fortaleci durante essa jornada é que a tecnologia não deve ser o primeiro passo de um projeto de inovação.
Antes de escolher uma ferramenta, é necessário entender:
Qual problema estamos tentando resolver?
Para quem esse problema realmente importa?
Como o processo funciona atualmente?
Onde estão os principais atritos?
Qual comportamento precisa mudar?
Como saberemos se a solução funcionou?
Somente depois dessas respostas a tecnologia entra como meio.
Essa lógica influenciou diretamente a forma como passei a desenvolver projetos relacionados a atendimento, Experiência do Paciente, educação corporativa, automação, gestão de informações e produtos digitais.
Em vez de começar perguntando “qual sistema podemos criar?”, procuro começar com uma pergunta mais importante:
“O que precisa ser transformado?”
Da teoria para a construção
Eu aprendo construindo.
Gosto de pegar uma situação ainda pouco organizada e transformá-la em algo visível: um fluxo, um processo, um indicador, um painel, um treinamento, uma plataforma ou um produto.
Normalmente, meu raciocínio percorre este caminho:
Problema
→ Entendimento da jornada
→ Desenho do processo
→ Construção da solução
→ Teste
→ Aprendizado
→ Melhoria
→ Escala
A formação em Inovação me ajudou a dar mais consistência a esse movimento.
Uma ideia pode ser brilhante e ainda assim não gerar impacto. Para se tornar inovação, ela precisa ser adotada, produzir valor e permanecer funcionando depois do entusiasmo inicial. Esse entendimento mudou a forma como avalio projetos.
Hoje, não considero suficiente perguntar se uma solução é criativa. Também procuro entender se ela é:
Necessária;
Utilizável;
Mensurável;
Sustentável;
Escalável;
Financeiramente coerente;
Capaz de continuar funcionando sem depender permanentemente de seu criador.
O nascimento de uma visão mais ampla
Essa formação também contribuiu para ampliar minha identidade profissional. Minha trajetória começou muito conectada ao atendimento. Com o tempo, avancei para a Experiência do Cliente, do Beneficiário, do Colaborador e do Paciente.
Mas percebi que uma boa experiência não nasce somente na linha de frente. Ela é influenciada por decisões estratégicas, desenho de processos, cultura organizacional, capacitação das equipes, indicadores, sistemas, canais, integrações e modelos de gestão.
Foi nesse ponto que meu olhar deixou de estar concentrado apenas no atendimento e passou a considerar toda a arquitetura necessária para que uma experiência de qualidade aconteça.
O atendimento é o lugar onde muitos problemas aparecem. A origem desses problemas, porém, pode estar muito antes: em uma regra, em um fluxo, em uma decisão, em uma informação mal distribuída ou em uma tecnologia mal implementada.
"Inovar também significa descobrir onde realmente está a causa do problema."
A conexão com a Korax
A Korax se tornou o principal ambiente de aplicação dessa visão. É onde conecto minha experiência em gestão, atendimento, desenvolvimento de pessoas, tecnologia e inovação para construir soluções destinadas aos negócios de saúde.
Mais do que oferecer ferramentas isoladas, a intenção é desenvolver um ecossistema capaz de apoiar organizações em desafios como:
Experiência do Paciente;
Gestão de jornadas;
Educação corporativa;
Automação de processos;
Dados e indicadores;
Integração de canais;
Produtos digitais;
Inteligência artificial aplicada à operação;
Desenvolvimento de equipes;
Transformação da gestão em saúde.
A Korax também é meu laboratório de aprendizado.
Cada projeto mostra o que funciona, o que precisa ser simplificado, o que pode ser automatizado e o que ainda depende excessivamente de esforço manual. Esse processo reforçou uma conclusão importante: inovação não acontece apenas no lançamento de uma solução. Ela acontece na evolução contínua daquilo que foi construído.
O que essa formação mudou em mim
O maior resultado dessa jornada não foi apenas acadêmico.
A formação mudou a forma como analiso oportunidades e problemas.
Alguns aprendizados se tornaram especialmente importantes:
"Uma ideia não é uma inovação"
A ideia é apenas o começo. O valor aparece quando ela se transforma em uma solução utilizada e capaz de gerar resultados.
"Tecnologia é meio, não propósito"
A ferramenta mais moderna não compensa um problema mal compreendido ou um processo mal desenhado.
"Inovação precisa de pessoas"
Sem liderança, comunicação, capacitação e adesão, até uma ótima solução pode fracassar.
"Nem tudo precisa ser criado"
Em alguns casos, inovar é simplificar, integrar, retirar etapas ou utilizar melhor algo que já existe.
"Escala exige estrutura"
Uma solução que funciona apenas porque seu criador acompanha cada detalhe ainda não está preparada para crescer.
"Aprender faz parte do produto"
Testes, erros, ajustes e feedbacks não são sinais de fracasso. São parte natural da construção.
"Uma formação que continua"
Concluir essa etapa não significa encerrar meu aprendizado sobre inovação. Na verdade, representa a consolidação de uma base para os próximos anos.
Meu objetivo é aprofundar cada vez mais a conexão entre:
Gestão Executiva em Saúde +
Inovação + Engenharia de Software +
Empreendedorismo
A especialização em Engenharia de Software será um novo capítulo dessa trajetória. Ela deverá ampliar minha capacidade de compreender arquitetura, desenvolvimento, dados, inteligência artificial e produtos digitais.
Não pretendo abandonar a gestão para me tornar apenas um profissional técnico. Quero desenvolver a capacidade de transitar entre os dois mundos: entender profundamente os desafios das organizações de saúde e, ao mesmo tempo, compreender a tecnologia necessária para construir soluções melhores.
O diploma representa uma etapa em busca de mais resultados:
Tenho orgulho dessa formação internacional e do conhecimento construído ao longo do processo.
Mas não quero que ela seja apenas uma linha no currículo.
Quero que esteja presente nas decisões que tomo, nos projetos que lidero, nas pessoas que desenvolvo e nas soluções que ajudo a construir.
Para mim, inovação não é sobre parecer moderno.
É sobre resolver melhor aquilo que realmente importa.
É transformar conhecimento em ação.
Problemas em soluções.
Ideias em sistemas.
Experiências fragmentadas em jornadas mais humanas.
E tecnologia em impacto real.
Essa é a principal contribuição que levo do meu Mestrado Internacional em Inovação para os próximos capítulos da minha trajetória.





